Toda vez que ela passa
A praça sorri de volta.
O vento que não queria
Agora passa.
A pipa que estava presa.
Agora solta.
O menino que não passava a bola
Agora passa.
A velhinha que mal ia
Agora volta.
O pedinte sem moeda
Já sem graça
O pedinte com moeda
Agora toca
O pássaro que se escondia
Agora esvoaça.
O banco que andava triste
Agora lota.
O cão que não latia
Agora ladra
O ladrão que nem queria
Agora bisbilhota.
O vendedor que apitava
Agora cala
O policial que cochilava
Agora escolta
O espetinho que não saía
Agora esfumaça.
O bêbado que parecia morto.
Dos mortos volta.
A menina que se segurava
Agora devassa
O menino que era moço
Reviravolta.
O casal que era tímido
Agora abraça.
O poeta que não existia
Agora brota.
E a praça sorrir de graça.
Para ela que me sorrir de volta.
Hilton Wesley Lacerda
Hilton Wesley
domingo, 12 de fevereiro de 2017