[..]Maria, me ver a saideira.
Ainda não sei para onde ir.
Mas antes me diga que não sou
Como aquele desgraçado,
Cambaleando no lixão,
Talvez mal amado.
Mas sem gravata e na sarjeta.
Conte me, se ele te dá gorjeta;
Um boa noite, obrigado.
Ora! Um copo à mais
Não me igualará aquele coitado
Que na miséria jaz.
Ele já saiu nos anais?
Do que ele entende de fidalguia?
Traz o sétimo Maria.
Sou filho da boemia
Sangue bom, olha meu traje.
Mas que ultraje.
Porque aquele infeliz canta?
Traz o oitavo Maria
Certamente a desgraça é tanta
Que a loucura tomou conta de si.
Mas não ei de permitir
Ofensa tamanha
O nono Maria,
Agora ele vai ver o que se ganha
Por tentar ser o que não é.
-Ei, Zé mané!
Quem te deu o direito de estar aqui
Você não merece esse lugar
Trate logo de sumir
Procurar algo de tua alçada
E não pise nessa calçada
Nem na vida alheia
Decimo Maria,
A sacola tá quase cheia
E te deixarei brincar.
Ignore aquele lupanar
O espelho, o homem imundo
Essa latinha é a derradeira
Um dia poderei comprar para ti
Um lugar no mundo.
Maria, me ver a saideira.
Ainda não sei para onde ir...
Hilton Wesley Lacerda
Hilton Wesley
domingo, 31 de janeiro de 2016