O
corpo,
Essa
organização de sangue e cal
Com
cada nervo do sistema nervoso central
É
meu, e de mais ninguém
O
corpo,
Esculpido
a marteladas
gentis
Criatura
de osso e cútis
É
meu, e não de teu harém
O
corpo,
Matéria-prima
cabal
A
ideia central
É
meu, sem porém
O
corpo,
Ainda
que imite a obra
É
em si, o limite sem sobra.
O
corpo é meu, e de mais ninguém.
O
corpo,
A
receita de anatomia atômica
A
perfeita matéria anacrônica
É
meu, poupe seu desdém.
O
corpo,
Concepção
lapidada por natureza
A
condição excepcional da beleza
É meu, e dispensa triagem
O
corpo,
Vestido
epidérmico sagrado
Não
clama teu agrado
O
corpo é meu, de mais ninguém.
Hilton Wesley Lacerda
Hilton Wesley
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016