Deixe-me que eu xingue, que escarre em meus poemas.
Eu tenho o direito, talvez a obrigação de o faze-lo.
Que importa se os versos não são dos mais polidos.
Que importa se pareço um babaca de dez anos
Escrevendo para uma musa que não “tá nem aí”.
Que importa se a musa com a poesia em mãos
Sorrirá e dirá insipidamente "Que lindo!"
Por falta de mais emoção,
E que meu ego sedento, dir-me-á ferozmente,
que mais uma vez tenho falido.
E que o papel rabiscado de tão imprestável,
Nem servirá para enrolar o chiclete que a musa estava à mascar.
Mesmo assim,
Não cultivem pena por mim.
O sofrimento está para o poeta, tal como a pérola para à ostra.
E quando essa poesia estiver estampada, na décima nona
página de um livreto repleto de poesias de outros poetas.
Eu, sôfrego, lerei minha obra, e o farei novamente e novamente,
na ânsia de que minha poesia esteja em todas as páginas, e
que todo o livreto seja apenas Uma Poesia.
Hilton Wesley Lacerda
Hilton Wesley
terça-feira, 5 de janeiro de 2016