Parece que foi ontem
Que eu vivia
Acho que era por que naquele tempo
Mesmo com medo
Você com seu enredo
Fazia-me sorrir
Eh! Tinha motivo
Eu era o sujeito
Você meu adjetivo
Meu radical
Um vendaval
Cheio de falsos amigos passou
Seu amor levou
Nossa vida; agora era passado.
Você me achava um nada
Fiquei imperfeito
Não me contentei com o direito
De ficar calado
Não queria agressão verbal
Mas ser teu namorado
Era tudo que sabia fazer
E a vida não iria valer
Se não fosse ao plural
Não queria uma simples vida
Só queria minha querida
A vida era romântica
Por que tinha você
Sem você?
Um conflito á semântica
Que dizia como tinha que ser
Não podia ser só amigo
Tampouco indefinido
Adjetivando o arrependimento
Faltando-me um complemento
Não fazia sentido
Não sem você
Agora conjugando o verbo sofrer
Peço em oração
Que me concedam
A alegria
De viver uma neologia
Sofreramar
E se um dia você me falar
Que não tive a eminência
De toda sapiência
De Vinicius de Moraes
Dir-lhe-ei com certeza
Que seu poema
Caiu feito diadema
Para tua beleza
Mas foi feito para mim
Que mesmo não sendo letrado
É um humilde apaixonado
E mesmo sem o dom da poesia
Oferece-lhe em cortesia
Ao seu grande amor
Trocando a obra pelo o autor
Sei que fui personagem
Ah! Da tua fabula fui o sapo
Fiz-te figura de linguagem
Que mesmo inadequada
Foi muito, mais muito amada.
E quem poderia dizer o que é certo
A norma?
Não, não podia.
Só quem sabe o que é amar dessa forma
É quem tem o direito de julgar
Certo ou errado estarei ao teu lado
Como artigo e substantivo
Como verbo e seu complemento
Sendo sujeito ou predicativo
A gente se completa
Faz oração
Sem subordinação
Que pena que você é mais que perfeita
Se quiser a gente se ajeita
Só não quero ser opcional
Não quero ser a pedra insistente no caminho
E não, não é enfatizar;
O nome disso é luta
Pois quem tem boa conduta
E sabe o que é realmente o amor
É lutador
Pois a vida é um exercício
E mesmo sendo tão difícil
Eu sei que posso resolver
Porque te ter
É tudo que quero
E realmente espero
Não, não quero ser imperativo.
Mas fazer o quê; se o único motivo
Dessa vida lúdica
É te amar
Vou; eu vou, e chego lá
À Pasárgada ou ao Monte Castelo
O meu belo faz um elo
Com teu sorriso
Sem domínio
E nessa canção de exílio
Procuro ser entendido
Pois pior do que a morte me faria
É amar e não ser correspondido
Assim morro todo dia
Espero que tenha entendido
Todo dia é dia de prova
Todo dia temos escolhas
E a recuperação é a tristeza
De não ter atitude
A única virtude
É viver essa agonia dia a dia
Como sendo ultimo dia
E a ultima hora
Vivendo uma apologia
Aos sentimentos
E sabendo que o melhor dos momentos
É o agora
Wesley Lacerda
Hilton Wesley
segunda-feira, 1 de julho de 2013