Eu quero ser quando
crescer
Grande! Bem grande.
Já tiro 10 em matemática.
E se não me falha a
conta.
Serei um grande
empresário.
Eu quero passar no
vestibular.
Sair da casa dos meus pais
E viajar esse mundão.
Mas a máquina onívora
Na velocidade que mata suas crias.
Engole seu criador.
Inventou o desemprego
E cheio de boas vontades.
Me largou na sarjeta
Cobriu-me os olhos
Com essa tarja preta.
Mas isso não a impede de
me enxergar.
Censura?
Não escolhi ser angustia para tua opulência.
Ainda sim sou parte do
teu cotidiano
Matéria-prima para o teu tutano.
Sou aquela laranja
Que de laranja não se entende.
De tão espremida.
Sem sumo, não se vende.
Ambrosia para teus dentes.
Mais um dia cessa
E me pergunto, quando me cesso?
Eu queria
ser grande
Grande não pude ser
Por que pessoas grandes
Trabalham em um prédio
de dezenas de andares em
São Paulo
moram em Copacabana,
e embora nelas só passem
noites,
Suas casas são enormes e
bonitas.
Sem falar da outra casa,
em outra cidade ou pais,
com vista para o mar.
Eu queria passar no
vestibular
Mas já tinham decido por
mim
Qual curso iria estudar
Fiquei angustiado
Mas o sucesso estava parcelado.
É infelicidade só minha?
Essa angústia que me
consome
Com meus trintas e sem o
sucesso colhido?
E só essa vontade
indecente.
De uma rede e um livro de
poesias?
Me traz mais um café
E desliga o diacho dessa
musica
Me desculpa Gonzaguinha
Mas o "Guerreiro
menino"
Não está me ajudando nem
um pouco
No meu delírio matinal
Me deixa pensar
Sem o assédio de teu
relógio
E de teu café
Quero saber o que será de
mim
Depois dos cinquentas.
Mas antes me explica
O porquê de tanto café
Nessa mesa.
Não quero está por aqui
Quando ele acabar.
Hilton Wesley Lacerda
Hilton Wesley
sábado, 8 de agosto de 2015