Que espécime singular,
Esse indigente ao espelho,
Não aprendeu a falar
Meu parelho.
Miserável e soturno,
Com esses olhos de quem clama piedade.
Disforme moribundo
Não sabe o que é verdade.
Assombrado pela silhueta de alguém
Ainda mais vil,
Violado, sem um vintém,
Maltratado pelo beijo que ainda não sentiu.
Você não sabe o que é tormento
Tormento é viver
Lembrando a todo tempo
De esquecer você.
Nesse devaneio
Omisso num corpo alheio
Com o abismo contíguo
Isso, não desejo ao meu pior inimigo
Pelo relato efêmero
Tormenta, embora tormento
Não ponho meu gênero
Em tal desprovimento de sentimento.
Wesley Lacerda
Hilton Wesley
quarta-feira, 4 de junho de 2014