Andava à
passos largos, indubitavelmente pegando ruas coerentes, porém, não sabia para
onde estava indo; acho que é nessas horas que as melhores coisas tendem a
acontecer; o cenário era perfeito, semáforo fechado, pedreiros fazendo barulho,
pessoas sendo pessoas que não são, e do outro lado da avenida, o mar sendo
supremo como de costume, e parecendo clichê, como os filmes bem retratam, ele
estava prestes a me revelar uma de suas surpresas. Olhando a vastidão do
oceano, ansiando complementar o vazio que estava me fazendo naquele dia, de relance
capto a silhueta dela, a minha mulher, linda que só ela, saindo das águas com
aquele jeito dela de desfilar sobre cadáveres, eu sou só paisagem, agora sentada
sublimemente no banco dos amantes amadores, feito cena de cinema, ela faz tudo congelar,
eu a olho por eternos cinco segundos, e absorto desvio de projetos de gentes
para alcançar minha musa.
Ela
percebe minha aproximação, ando sorrindo, embasbacado e olhando para os lados,
para ver se encontrava motivo para tal sorriso, e ela com aquele seu olhar de
desdém como quem não me conhecesse, me levava à loucura; minha mulher sabia
como ninguém, disfarçar uma adrenalina; cambaleio um pouco para melhor
aproveitar nossa inauguração, quando um maldito ônibus vem em sua direção, e
ela como quem se assustasse com a minha aproximação vai embora sem me dar um
beijo.
Ainda
hoje aguardo sentado no banco que ela sentou, fotografando paisagens mortas, consolado
por desconhecidos que jamais me contentarão, esperando que o maldito
sequestrador de moças comprometidas, traga-me o que me é de direito.
Wesley Lacerda
Hilton Wesley
terça-feira, 10 de dezembro de 2013