Eu vi o negro sorrindo do nada
De terno, gravata e sem medo.
Não era mentira, não era piada.
Viver não era degredo.
Ei vi o negro vindo da faculdade
O policial o cumprimentava
Indo ao banco, pegar sua mensalidade.
O detector de metal nem apitava
Eu vi um emaranhado de gente
Na alvinegra sinergia
Gente dessas que sente
O amor, a paz e a bicromia.
Eu vi o negro dormindo tranquilamente
Barulho! Era só a vizinhança
Do negro e do branco, simplesmente.
Eu vi, pela janela da esperança.
Hilton Wesley
segunda-feira, 29 de abril de 2013