Cansado do calor escaldante do dia deite-me na rede ao brilho do luar sertanejo. Ela aproximou-se com o seu sorriso meigo e olhar penetrante, contou-me algumas histórias, fez-me rir e desarmando-me de todo o pudor e cuidado necessários ante a uma paixão, abraçou-me exercendo agora um domínio completo do meu corpo.
Preso aquela rede me senti como um prisioneiro que recusava a liberdade, como uma ave que na gaiola não desejava sair a voar. Nossas pernas se cruzavam em um grande reboliço, minhas mãos se perdiam em seu corpo, em meus lábios uma loucura ardente, estranhamente tornei-me dela e ela minha.
No dia seguinte quando nos levantamos pouco caso fizemos de tudo o que tinha acontecido. Olhamos-nos como meros amigos e com um sorriso tímido deixei aquele local. Mesmo que dentro de mim dissesse que eu queria mais daquele momento, o orgulho e o medo do invisível não me permitiram revelar esse segredo.
Hoje faço planos, desfaço sonhos, sonho com tua presença. Desejo-te ter como se minha existência se completasse em ti. Tudo o que faço parece sem sentido, sem vida e sem amor. Desejo-te na praça a caminhar comigo, a partilhar a vida nos embalos da noite, anseio pelo teu sorriso indo de encontro ao meu, o teu cheiro em minha roupa, o meu corpo novamente no teu.
"Paixão antiga sempre mexe com a gente".
Régis Pereira
domingo, 7 de abril de 2013