Todo dia ao mesmo horário, observo uma senhora que
sobe naquela parada. Já tem certa idade, porém ainda continua na luta. Carrega
sempre uma trouxa sob os ombros.
Às vezes percebo a indiferença nas pessoas. Aquele
assento que era para ser exclusivo para alguns, torna-se exclusivo para quem
chegar primeiro. Vejo a senhora e muitos outros em pé, enquanto muitos não cedem
o direito de sentar.
Fico imaginando o que ela carrega todo dia consigo,
não tive a iniciativa de perguntar - acho que são roupas.
Sempre que pegava a condução das sete da manhã deparava-me
a vê-la no ônibus. No horário da volta para casa não era sempre que a via. Mas
ela sempre ia e voltava com a sua trouxa. E ainda hoje me pergunto o que ela
faz todo dia com aquela enorme bagagem.
Sousa Neto, J.J.
Sone Studio
quarta-feira, 16 de abril de 2014